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6月29日 Duplo
Eleonora foi mulher e me deu um beijo. Ela, atrapalhada, risonha e santa sem toque de dedos. Dois edifícios rachantes a experimentar o desmanche. Fomos neblina. Ela com pouca fumaça, mas fogo ardendo: eu com receio. Experimentando-nos. Uma palavra imensa. E nós aqui, na posição de quem espera, ou mesmo de quem vê o mundo passar agitado, suficientes. Eleonora tocou meus olhos com duas varas de cristal. Sem meus olhos não seria de Eleonora. Sem os olhos ela não seria. Eleonora tem a vista migrante de quem recomeça todo dia. Me abre os olhos. Me fecha os olhos. Me arrepia. Ainda que fosse um sábado e no carteado sem sorte só faltasse a dama. Uma espécie de vinho. Uma espécie de transe que não se completa. Eleonora completa, eu-mesquinho. Voto pela vinda de Eleonora. Voto por sua partida. Que ela chegue e se espalhe límpida. Espero por ela. Ainda.
Antônio tem um pó para cada passo, um passo para cada vez.
Antônio foi homem e me deu um beijo. Ele, acanhado, insípido, fuinha. Dois palcos a acumular poeira cinza. Fomos fachada. Ele com pouca pintura, um ar deprimente: eu com fadiga. Desencontrando-nos. Uma lacuna imensa. E nós ali, na posição de quem evita, ou mesmo de quem não desconfia do tempo escasso, iminentes. Antônio esperou um milagre. Sem seus olhos não se faria Antônio. Sem olhos ele não faria. Antônio tem o cegar opaco de quem só-se angustia. Me não deita os olhos. Se não abre os olhos. Me assedia. Ainda que fosse um sábado e na bebedeira sem sorte não restasse um outro. Uma espécie de jaula. Uma espécie de apatia que não se dissipa. Antônio repleto, eu-mesquinho. Prezo pela vida de Antônio. Prezo pelo Antônio desperto. Que ele encontre e se situe plácido. Um dia. トラックバックこの記事のトラックバックの URL は次のとおりです。 http://littlepandora.spaces.live.com/blog/cns!61ECF96C3CCBD919!316.trak この記事を参照しているブログ
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